Para assinalar o Dia Mundial da Saúde, a Associação Nacional de Gerontólogos (ANG) promoveu um painel interdisciplinar, em parceria com a Escola Superior de Saúde de Santa Maria, sob o tema “A pessoa idosa no Sistema de Saúde - Desafios e Oportunidades”.
No encontro, que decorreu na ESS, refletiu-se sobre os “Desafios e oportunidades do envelhecimento em Portugal” (Prof. Ignacio Martin, Universidade de Aveiro), “Pessoas Idosas e o acesso aos cuidados de saúde” (Prof.ª Cristiane Silva, Escola Superior de Saúde de Santa Maria) e “Literacia em Saúde” (Prof.ª Carla Serrão, Instituto Politécnico do Porto).
Filipa Sousa Luz, presidente da ANG, sublinhou a importância do evento, tendo por base o que o mais recente relatório da OMS, “World Report on Ageing and Health”, de 2015, sublinha: “…os recursos humanos e sociais e as oportunidades de cada um, à medida que envelhecem, dependerão de um único determinante: a saúde”. Assim, prossegue “se as pessoas tiverem saúde, terão em proporção a oportunidade de realizarem atividades que valorizam; se não tiverem, estarão em situação de dependência e declínio funcional, trazendo implicações negativas e, consequentemente, diminuição da qualidade de vida”.
Em contraponto, quando confrontados “com “menos saúde” são, na sua maioria, resultantes de doenças crónicas, intimamente relacionadas com comportamentos/hábitos de vida, mas não só. Numa perspetiva de continuum, até quando a doença crónica está presente, os ambientes de suporte têm um papel fulcral, na medida que permitam que as pessoas, independentemente da sua (in)capacidade, tenham a oportunidade de ir e fazer o que querem”.
É convicção da ANG que “os profissionais (todos eles) que contactam com as pessoas idosas fazem parte integrante deste ambiente de suporte, seja na comunidade, seja dentro do próprio sistema de saúde, tendo a oportunidade de serem facilitadores de um acesso informado e participado em tudo o que diz respeito à sua saúde”.
De salientar que, por sua vez, o Presidente do Conselho de Direção da ESSSM, Prof. José Manuel Silva considerou que a iniciativa vai ao encontro da perspetiva que defende: o envelhecimento como uma oportunidade e não como um problema.
A concluir focou-se a necessidade de alargar as estruturas que possam dar respostas comunitárias às necessidades atuais no atendimento às pessoas idosas, nomeadamente através do atendimento domiciliar nos grandes centros, assim como a necessidade de qualificar os profissionais para reabilitar, readaptar e reintegrar a pessoa de forma individual. Por outro lado, é fundamental atuar na prevenção das doenças crónicas não transmissíveis e cobrir os cuidados biopsicossociais da pessoa idosa nos seus diversos graus de dependência. Ressalvar também necessidade de desenvolver ações e programas nos serviços de saúde e na comunidade científica com o objetivo central de promover a saúde, especialmente à população mais velha, para responder eficazmente à preocupação mundial - o envelhecer saudável -, além de dar respostas, de forma sustentável, aos cuidados e tratamentos de saúde a essa população.